Turma Barão de Teffé
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50º Aniversário do Colégio Naval

MARINHA DO BRASIL
COLÉGIO NAVAL
ANGRA DOS REIS, RJ.
Em 18 de agosto de 2001.
ORDEM DO DIA Nº 001/2001
Assunto: 50º Aniversário do Colégio Naval

Quinze de agosto de 1951. Nesta data foram iniciadas as atividades do Colégio Naval em Angra dos Reis. A história do Colégio, no entanto, remonta aos tempos do Império, quando começou a nascer vagamente no II Reinado a idéia da criação de um Preparatório Naval, que foi efetivada, através do Decreto nº 6440 de 28 de dezembro de 1876. A história do Colégio Naval é, desse modo, parte da história do Brasil como nação, uma vez que o cuidado com o aprimoramento da Oficialidade de um País está intimamente relacionado à preservação da identidade nacional. Tal idéia refletiu a preocupação das autoridades do Império com a qualidade da formação dos Oficiais e, conseqüentemente, o desenvolvimento de uma mentalidade marítima nacional ainda hoje tímida.

Em que pesem as dificuldades inerentes a todo empreendimento, sobretudo quando se trata de preparar física, moral e intelectualmente jovens de todas as partes do Brasil com distintas visões de mundo, a história do nosso estimado Colégio Naval é cheia de beleza e agradáveis fatos.

Senhores Oficiais, tivemos a ventura de estudar no majestoso prédio da Enseada Baptista das Neves! Quem não se recorda da primeira vez em que foi possível contemplar a beleza deste lugar e travar os primeiros contatos com a Marinha? Sei que neste exato momento, muitos estão a recordar-se da primeira, ainda desajeitada, formatura; das primeiras palavras dos Tenentes, dos Comandantes ou Diretores; dos primeiros "sim, senhor!" ou "não, senhor!" frases singelas que expressam o respeito aos nossos princípios mais sagrados: hierarquia e disciplina; a primeira saudade apertada dos entes queridos que, com confiança e orgulho, permitiram que déssemos os passos iniciais na mais bela das carreiras. Os integrantes das primeiras turmas devem recordar-se com carinho do dia em que informalmente alguns posaram para uma foto com o pato Gingelim em uma gaiola de madeira; do uniforme cheviot usado pelo alunos.

Enfim, são muitas as lembranças e cada turma tem a sua própria história e seriam necessárias muitas páginas para narrar o que cada um gostaria de registrar com carinho e emoção. Peço que me perdoem e aquiesçam em permitir-me fazer uma referência especial às turmas de 51 e 52, das quais saíram três eminentes chefes navais; da turma de 51, um Ministro da Marinha e um Ministro do Superior Tribunal Militar e, da turma de 52, o Comandante da Marinha.

Santo Agostinho, a águia do entendimento humano, afirmou que "o tempo era um presente triplo: o passado como recordação bem presente; o presente como o vemos e o entendemos; o futuro como expectativa presente". Hoje, quão válida é a afirmativa do sábio de Tagaste, pois, para nós também a força do momento presente fala por si mesma. Tenho a convicção inabalável de que esse encontro de todas as turmas desde 1951, é prova inequívoca do amor que cada um dos senhores devota ao nosso estimado Colégio. Esse encontro de gerações constitui a quintessência do espírito de fraternidade que une os homens do mar.

Senhoras e senhores, quando fizemos a opção pela Marinha éramos muito jovens e sonhadores. Muitos dos nossos companheiros seguiram outros rumos, mas o que na maioria existia como tendência transformou-se em vocação ao longo dos anos. De 1951 até os dias de hoje, os 6496 alunos transferidos para a Escola Naval transformaram-se de Esperança da Armada Brasileira em Sentinelas dos Mares e, após a graduação na Escola Naval e o exercício de diversas funções na carreira 151 atingiram o Almirantado. Essa vocação, todavia, começou a nascer numa instituição de ensino de elevado padrão educacional resultante da dedicação de professores entusiasmados e patriotas. Neste momento expresso o nosso reconhecimento aos que exerceram a árdua e dignificante tarefa de nos capacitar física, moral e intelectualmente: nossos queridos instrutores e mestres. Importa também render homenagem à alta Administração Naval, aos Comandantes, Oficiais, Praças, Professores e Funcionários Civis pela forma com que mantiveram o Colégio Naval digno dos mais rigorosos padrões de qualidade no ensino; aos nossos familiares, esteios das nossa vidas, os quais conosco compartilharam momentos de alegria e tristeza; às autoridades e população da Cidade de Angra dos Reis, que aprendemos a admirar e respeitar, em anos de proveitosa convivência. Temos orgulho de também ser parte da história dessa cidade.

Nosso agradecimento final a Deus que nos permitiu chegar até aqui, sem o qual nada podemos.

Senhoras e senhores! Num mundo em que "o ter" é mais importante que "o ser" não seria impróprio afirmar que os valores éticos e profissionais, assimilados desde os tempos de aluno do Colégio, diferenciam-nos dos que, cada vez mais, deixam-se conduzir pela propaganda sutil que exalta os valores materiais em detrimento dos autênticos valores dos homens do mar: desprendimento, camaradagem, coragem e patriotismo. Esses serão sempre os valores que nortearão nossas mais íntimas atitudes, pois a maior recompensa de um marinheiro é a satisfação de ser útil ao Brasil.

Nesse momento solene convido-os a lançar um olhar para o futuro na certeza de que o Colégio Naval permanecerá fiel aos ideais de seus fundadores e continuará, por muitos anos, contribuindo para forjar o caráter dos futuros Oficiais da Marinha do Brasil.

Que unidos possamos prosseguir na busca permanente de uma nação cujos cidadãos possam compreender nossa vocação marítima e orgulhar-se de seus homens do mar. Esse trabalho começa dentro das salas de aula, dos pátios internos e dos campos de esportes de nosso querido Colégio Naval.

Parabéns Colégio Naval, Parabéns Escola Naval, Parabéns Marinha do Brasil.


EDISON LAWRENCE MARIATH DANTAS
Contra-Almirante
Comandante
Atualizado em: 27/03/2004 16:09:43 Voltar |  Topo